PARENTALIDADE    POSITIVA 

Este texto tem como finalidade colaborar com os pais alertando-os para as grandes necessidades das crianças e dos jovens por quem são responsáveis. 

A vida familiar é a realidade em que crescem e são educadas  as gerações mais novas da nossa sociedade e todos têm consciência de como é essencial a existência de um ambiente estável e positivo, onde quer os pais quer os filhos encontrem um espaço próprio e sejam amados e reconhecidos. O respeito, o diálogo, o carinho que devem caracterizar as relações entre adultos e crianças na convivência familiar  não dispensam as normas e a disciplina, a exigência e a responsabilidade que cabe a cada membro. 

O documento presente poderá ser tambem um ponto de partida para debates e troca de experiências em encontros a promover sobre estas temáticas, dinamizando assim a entreajuda  das famílias e a promoção de uma partilha nas escolas, nas autarquias e nas paróquias em torno das questões ligadas à educação e ao papel dos pais. 

Partindo do princípio que quem é pai e mãe quer o melhor para os filhos e conta com a sua intuição para os educar, enunciam-se em seguida algunmas recomendações que resumem as condições necessárias ao bom exercício das funções parentais. 

Princípios para uma Parentalidade Positiva

Os Princípios para uma Parentalidade Positiva traduzem-se em políticas e medidas de apoio à parentalidade subordinadas aos seguintes princípios:

  1. Reconhecer todas as crianças e todos os pais como titulares de Direitos e sujeitos a obrigações;
     
  2. Reconhecer os pais como primeiros e principais responsáveis pela criança devendo respeitá-la de acordo com os seus direitos. Cabe ao Estado intervir para proteger a criança;
     
  3. Reconhecer como positiva e necessária a cooperação entre os pais e outros agentes de socialização das crianças, nomeadamente o próprio Estado;
     
  4. Assegurar que os pais e as crianças sejam envolvidos na elaboração e aplicação das políticas e medidas que lhes são destinadas;
     
  5. Promover a igualdade de oportunidades de ambos os progenitores no exercício da parentalidade positiva, no respeito da sua complementaridade;
     
  6. Reconhecer a necessidade de condições de vida que permitam aos pais a sua realização pessoal e que sejam adequadas ao exercício da parentalidade positiva, nomeadamente a independência social e económica e o acesso aos bens e equipamentos de apoio às famílias;
     
  7. Respeitar as diferentes formas de parentalidade e de situações parentais através de uma abordagem pluralista;
     
  8. Reforçar a parentalidade positiva através de mecanismos incentivadores que aproveitem o potencial natural dos pais;
     
  9. Conceber os mecanismos de reforço à parentalidade positiva numa perspectiva de longo prazo de forma a garantir a sua sustentabilidade;
     
  10. Garantir redes adequadas de apoio à parentalidade positiva com padrões de qualidade reconhecidos e imparciais e segundo este conjunto de princípios comuns aos diversos níveis de actuação;
     
  11. Assegurar uma cooperação intersectorial aos diversos níveis iniciando e coordenando neste domínio as acções dos diferentes agentes envolvidos, com o fim de aplicar uma política global e coerente;
     
  12. Promover a cooperação internacional e facilitar a troca de conhecimentos, experiências e boas práticas em matéria de parentalidade positiva

Recomendações

1. Compromisso - Os pais devem comprometer-se a proporcionar cuidados e atenção regular e personalizada às suas crianças.

2.  Disciplina Assertiva - Os pais devem educar as suas crianças aplicando uma disciplina assertiva, compreensiva e compassiva, sem violência de qualquer tipo.

3.  Ambiente - Os pais devem assegurar às suas crianças um ambiente de apreço e reconhecimento. Os pais devem promover um ambiente físico saudável e organizado.

4.  Sentido de Inclusão na Família - É muito importante que os pais assegurem às crianças  um sentido de inclusão na família, pois esse sentimento de pertença  permitirá às crianças exercer o direito de participação na vida familiar.

5.  Confiança mútua - Ambos, pais e criança, devem-se olhar mutuamente como seres humanos e criar uma relação de proximidade.

6. Exemplos Positivos - Os pais deverão constituir-se como modelos emocionais positivos para as crianças, transmitindo aos seus filhos pensamentos e comportamentos emocionalmente saudáveis.

7. Orientação e Instrução -  Os pais devem desenvolver permanentemente as suas competências parentais com o intuito de definirem objectivos motivadores para as crianças relativamente à sua autonomia e responsabilização.

Para efeitos da aplicação da presente Carta de Princípios, entende-se que:

“Crianças” designa crianças e jovens menores de 18 anos;

“Pais” designa pai e/ou mãe bem como outras pessoas titulares da autoridade e da responsabilidade parental;

“Parentalidade” integra o conjunto de funções atribuídas aos pais para cuidar e educar as suas crianças. A Parentalidade centra-se na relação pais-filhos e integra direitos e deveres para o desenvolvimento e auto-valorização das crianças;

“Parentalidade Positiva” refere-se a um comportamento parental fundado no respeito pelos direitos da criança que visa assegurar a satisfação das necessidades básicas através da protecção dos riscos e a criação de um ambiente que promova o seu desenvolvimento harmonioso, valorize a sua individualidade (e especificidade) e autonomia.

Conselho Consultivo das Famílias
ccfamilias.sear@mtss.gov.pt
   
MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE SOCIAL

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Carta de Princípios para uma Parentalidade Positiva 

Considerando: 

-          A Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança ratificada por Portugal e cujos princípios base devem guiar sempre a educação das crianças; 

-          A Convenção para a Protecção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais do Conselho da Europa (STE n.º 5), que protege os direitos de todos os Seres Humanos, incluindo os das Crianças;

-          A Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia (2000), onde se reconhece expressamente os direitos da criança;

-          A Constituição da República Portuguesa, nos seus Artigos 16.º, 36.º e 67.º a 70.º, 

-          A Carta Social Europeia (STE n.º 35) e a Carta Social Europeia revista (STE n.º 163), que estabelece, no seu Artigo 16.º, que “a família, enquanto célula fundamental da Sociedade tem direito à protecção social, jurídica e económica apropriada para garantir o seu pleno desenvolvimento”;

-          A Convenção Europeia sobre o Exercício dos Direitos das Crianças (STE n.º 160);

-          A Convenção sobre as Relações Pessoais relativas às Crianças (STE n.º 192);

-          O Children's Environment and Health Action Plan for Europe (CEHAPE), plano de acção europeu sobre ambiente e saúde para as crianças, adoptado em 2004 na IV Conferência de Ministros do Ambiente e da Saúde;

-          As Recomendações do Comité de Ministros do Conselho da Europa aos Estados Membros:

-          Recomendação R (84) 4 relativa às responsabilidades parentais;

-          Recomendação R (85) 4 sobre a violência na família;

-          Recomendação R (87) 6 sobre famílias de acolhimento;

-          Recomendação R (94) 14 sobre políticas de família coerentes e integradas;

-          Recomendação R (96) 5 sobre a conciliação entre vida profissional e familiar;

-          Recomendação R (97) 4 sobre os meios de assegurar e de promover a saúde das famílias monoparentais;

-          Recomendação R (98) 8 sobre a participação das crianças na vida familiar e social;

-          Recomendação Rec (2005) 5 relativa aos direitos das crianças que vivem em Instituições;

-          Recomendação Rec (2006) 5 sobre o Plano de Acção da Europa para a promoção dos direitos e da plena participação das pessoas com deficiência na Sociedade: melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência na Europa 2006-2015;

-          Recomendação Rec (2006) 19 relativa às políticas de apoio à parentalidade positiva.

-          As Recomendações da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa:

-          Recomendação 751 (1975) relativa à situação e às responsabilidades dos pais na família moderna e o papel da sociedade neste domínio;

-          Recomendação 1074 (1988) relativa à política da família;

-          Recomendação 1121 (1990) relativa aos direitos das crianças;    

-          Recomendação 1286 (1996) seguimento da Estratégia Europeia para as Crianças;

-          Recomendação 1443 (2000) sobre o respeito dos direitos da criança na adopção internacional;

-          Recomendação 1501 (2001) sobre a responsabilidade dos pais e dos professores na educação das crianças;

-          Recomendação 1551 (2002) - Construir no Século XXI uma sociedade com e para as crianças;

-          Recomendação 1601 (2003) - Melhorar a qualidade de vida e reduzir o número de crianças abandonadas nas Instituições;

-          Recomendação 1639 (2003) sobre Mediação Familiar e Igualdade de Sexos;

-          Recomendação 1666 (2004) sobre a proibição dos castigos corporais nas crianças na Europa;

-          Recomendação 1698 (2005) relativa aos Direitos das Crianças em Instituições

-          O compromisso assumido na 3.ª Cimeira de Chefes de Estado e do Governo do Conselho da Europa (Varsóvia, Polónia, Maio de 2005) de respeitar plenamente as obrigações da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, de promoverem efectivamente estes Direitos e de adoptarem medidas especiais para erradicar todas as formas de violência sobre as crianças;

-          O Comunicado Final e a Declaração Política resultante da XXVIII Conferência dos Ministros Europeus responsáveis pelos assuntos da família, (Lisboa, Portugal, 16-17 de Maio de 2006) onde se reconhece que a parentalidade deve ser considerada igualmente relevante no domínio das políticas públicas e que todas as medidas necessárias devem ser adoptadas para apoiar a parentalidade e criar condições necessárias ao exercício de uma parentalidade positiva, comprometendo-se a promover e prosseguir uma política comum no domínio dos assuntos familiares e dos direitos da criança no seio do Conselho da Europa;

-          O Programa: “Construir uma Europa para e com as Crianças”, lançado no Mónaco em 4 e 5 de Abril de 2006;

-          As prioridades definidas pelo XVII Governo Constitucional que reconhece o contributo imprescindível das famílias para a coesão, o equilíbrio social e o desenvolvimento sustentável do nosso País e assumiu a necessidade da definição de políticas públicas de apoio às famílias e à criança assentes no princípio da primazia dos direitos humanos;

-          O III Plano Nacional para a Igualdade - Cidadania e Género (2007-2010) que tem, nomeadamente por objectivos, a promoção da maternidade e da paternidade responsáveis, da conciliação entre a actividade profissional, vida familiar e pessoal, da integração da dimensão de género na formação e na qualificação profissional dos diversos agentes de educação e formação bem como na educação formal e não formal, e a promoção de um ambiente favorável à integração da igualdade de género no domínio da administração da Justiça;

-          O III Plano Nacional Contra a Violência Doméstica (2007-2010) que tem por objectivos, designadamente, a sensibilização das famílias sobre a necessidade de adoptarem estratégias educativas alternativas à violência, através de uma melhor comunicação intrafamiliar que facilite a adopção de novos códigos de disciplina parental;

e considerando que para efeitos da aplicação da presente Carta de Princípios, se entende que:

“Crianças” designa crianças e jovens menores de 18 anos;

“Pais” designa pai e/ou mãe bem como outras pessoas titulares da autoridade e da responsabilidade parental;

“Parentalidade” integra o conjunto de funções atribuídas aos pais para cuidar e educar as suas crianças. A Parentalidade centra-se na relação pais-filhos e integra direitos e deveres para o desenvolvimento e auto-valorização das crianças;

“Parentalidade Positiva” refere-se a um comportamento parental fundado no respeito pelos direitos da criança que visa assegurar a satisfação das necessidades básicas através da protecção dos riscos e a criação de um ambiente que promova o seu desenvolvimento harmonioso, valorize a sua individualidade (e especificidade) e autonomia.

 1. Fundamentação

 As famílias são um espaço fundamental de aprendizagem, experimentação e de reforço da coesão social. Contribuindo, de forma decisiva, para o desenvolvimento das crianças e para a sua socialização, o papel social das famílias reveste-se de extrema importância.

 As famílias continuam a ser a instituição com o papel de transmitir valores e comportamentos, espaço de segurança e protecção para os seus elementos.

 As famílias não dependem apenas de factores internos mas igualmente da influência do contexto social, económico e cultural, dado que os novos estilos de vida trouxeram para a sua existência uma nova preocupação – o cuidado das crianças.

 A Carta Social Europeia do Conselho da Europa, consagra que as famílias têm direito a uma protecção social, jurídica e económica para que possa desenvolver-se plenamente.

 No direito internacional, desde a Declaração dos Direitos da Criança em 1959, o interesse do menor tornou-se um princípio fundamental no qual se inspiraram as legislações nacionais, encontrando este princípio um posterior alargamento do âmbito da sua aplicação com a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança de 1989.

 Nos próprios termos da Constituição da República Portuguesa, o Estado deve promover, fomentar e incentivar o desenvolvimento de uma política que proteja e valorize as famílias e que possibilite a realização pessoal dos seus membros, baseada no respeito pela identidade e autonomia das famílias.

 A parentalidade é porventura uma das tarefas mais desafiantes da vida adulta e os pais constituem uma das influências mais cruciais das vidas dos filhos, estando os seus componentes ou sejam, os comportamentos, as cognições e os afectos filiais, intrinsecamente ligados entre si.

 A parentalidade positiva confere uma enorme responsabilidade no respeito pela dignidade e direitos das crianças, cabendo aos pais assegurar um ambiente familiar acolhedor, seguro, de responsabilidade e de empenho mútuo por parte de todos os membros da família, bem como de aprendizagem positiva e de disponibilidade para com a criança, utilizando uma disciplina assertiva. Devem ainda procurar garantir as condições necessárias ao exercício da sua missão enquanto progenitores, na educação e no desenvolvimento das suas crianças.

 Como está consagrado na Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas, a criança tem direito ao bem-estar, à protecção, à segurança e a uma educação que respeite a sua individualidade. Neste contexto, torna-se necessária uma nova atitude no relacionamento dos pais com os filhos bem como novas exigências no exercício das responsabilidades parentais. Uma atitude que reconheça a criança como pessoa que tem necessidades e opiniões, que a estruture e responsabilize, que a valorize ajudando-a a adquirir auto-estima, promovendo o seu bem-estar.

 Esta Convenção, da mesma forma que impõe obrigações aos pais estabelece os deveres por parte dos poderes públicos e da comunidade no apoio às famílias. 

 Existe um crescente interesse, a nível da União Europeia, pelas políticas de apoio à criança e às famílias, bem como uma maior disposição para um envolvimento institucional em áreas tradicionalmente encaradas como pertencentes ao domínio privado dos indivíduos. Esse interesse abrange a promoção de programas que criem condições de inclusão para as crianças e suas famílias e, ainda, o desenvolvimento de medidas promotoras de uma parentalidade positiva.

 Este clima de mudança foi potenciado pela persistência de níveis inaceitáveis de pobreza infantil na Europa e pela preocupação em quebrar o ciclo de pobreza entre gerações.

 O Conselho da Europa promoveu a Conferência de Lisboa intitulada “Changes in Parenting: Children Today, Parents Tomorrow” que se realizou de 15 a 17 de Maio de 2006 e cuja lógica reside na ideia de promover uma Europa amiga das famílias e orientada para as crianças. Esta Conferência adoptou como um dos objectivos principais, a promoção do desenvolvimento da parentalidade positiva, ou seja, o desenvolvimento de relações positivas entre pais e filhos, a fim de optimizar todo o potencial de crescimento de uma criança.

 No campo da parentalidade positiva, o Conselho da Europa considerou que uma educação não violenta é uma verdadeira questão dos Direitos do Homem, entendendo como essencial que os Estados garantam os Direitos das Crianças enquanto indivíduos redefinindo não só o lugar das crianças na Sociedade como a própria relação entre pais e filhos. Foi acordado que o conceito de parentalidade positiva engloba a necessidade de abolição dos castigos corporais e a protecção contra todas as formas de violência, incluindo o abuso de crianças no seio das próprias famílias, salientando que não só os Estados têm responsabilidade neste domínio mas que igualmente recaem responsabilidades sobre as próprias famílias e todos os membros da comunidade.

 O reconhecimento legal de uma relação de filiação constitui-se como o primeiro passo para estabelecer os direitos das crianças e as responsabilidades dos pais, que vão muito além dos aspectos básicos, nomeadamente, o de proporcionar um ambiente de crescimento afectuoso, seguro, estimulante e moralmente adequado, de modo a criar cidadãos responsáveis, num quadro de valores e de princípios adequados, sendo esta responsabilidade repartida por ambos os pais.

 Sabendo-se que constituem aspectos protectores aqueles que tornam as famílias menos vulneráveis, promovendo a qualidade de vida dos seus membros, os pais devem assegurar factores protectores individuais, familiares e sociais de suporte, como sejam:

 Factores Protectores Individuais

- Actividade física
- Auto-confiança
- Boas competências de comunicação
- Boas competências de resolução de problemas
- Desenvolvimento sensório-motor e de linguagem adequados
- Adequada compreensão e boas competências verbais, de escrita e de leitura
- Capacidade de captar a atenção de quem cuida
- Flexibilidade
- Capacidade de gerir as emoções
- Procura de contacto

Factores Protectores Familiares

- Adequado estabelecimento de regras e estruturação
- Comunicação franca e aberta
- Ampla atenção do prestador de cuidados no primeiro ano de vida
- Coesão familiar
- Ausência de conflito parental
- Pais confiantes e positivos
- Bom relacionamento com a família alargada
- Meio familiar apoiante, securizante e protector
- Ambiente físico adaptado, saudável e seguro.

Factores Protectores Sociais de Suporte

- Adulto próximo com quem partilhar experiências
- Companheiros e amigos que dêem apoio
- Bons cuidados prestados por terceiros (Instituições, escola, etc.)
- Dedicação a uma causa
- Integração religiosa, cultural, social e desportiva
- Figura de suporte e modelo de identificação
- Fontes informais de suporte (professores, vizinhos, religiosos, entre outros)
- Reconhecimento positivo das suas actividades
- Ambiente social seguro

Na Recomendação do Conselho da Europa de 13-12-2006 sobre parentalidade positiva propunha-se o reconhecimento das responsabilidades parentais e a necessidade de proporcionar aos pais o suporte adequado para que estes as possam cumprir plenamente.

Este documento define como conteúdo da parentalidade positiva:

a)      Comportamento parental baseado no superior interesse das crianças;

b)     Parentalidade orientada para um desenvolvimento integral e equilibrado das crianças, proporcionando-lhes todos os instrumentos necessários no sentido de que estas se venham a tornar adultos socialmente integrados e responsáveis;

c) Comportamento parental afectuoso e não violento, proporcionando um apoio adequado às crianças e o reconhecimento do seu valor, das suas capacidades e das suas necessidades;

d)  Criação de metas, orientações e objectivos conducentes a potenciar o pleno desenvolvimento da criança, estimulando e maximizando todas as suas aptidões e capacidades.

 

2. Princípios para uma Parentalidade Positiva

Os Princípios para uma Parentalidade Positiva traduzem-se em políticas e medidas de apoio à parentalidade subordinadas aos seguintes princípios:

  1. Reconhecer todas as crianças e todos os pais como titulares de Direitos e sujeitos a obrigações;
     
  2. Reconhecer os pais como primeiros e principais responsáveis pela criança devendo respeitá-la de acordo com os seus direitos. Cabe ao Estado intervir para proteger a criança;
     
  3. Reconhecer como positiva e necessária a cooperação entre os pais e outros agentes de socialização das crianças, nomeadamente o próprio Estado;
     
  4. Assegurar que os pais e as crianças sejam envolvidos na elaboração e aplicação das políticas e medidas que lhes são destinadas;
     
  5. Promover a igualdade de oportunidades de ambos os progenitores no exercício da parentalidade positiva, no respeito da sua complementaridade;
     
  6. Reconhecer a necessidade de condições de vida que permitam aos pais a sua realização pessoal e que sejam adequadas ao exercício da parentalidade positiva, nomeadamente a independência social e económica e o acesso aos bens e equipamentos de apoio às famílias;
     
  7. Respeitar as diferentes formas de parentalidade e de situações parentais através de uma abordagem pluralista;
     
  8. Reforçar a parentalidade positiva através de mecanismos incentivadores que aproveitem o potencial natural dos pais;
     
  9. Conceber os mecanismos de reforço à parentalidade positiva numa perspectiva de longo prazo de forma a garantir a sua sustentabilidade;
     
  10. Garantir redes adequadas de apoio à parentalidade positiva com padrões de qualidade reconhecidos e imparciais e segundo este conjunto de princípios comuns aos diversos níveis de actuação;
     
  11. Assegurar uma cooperação intersectorial aos diversos níveis iniciando e coordenando neste domínio as acções dos diferentes agentes envolvidos, com o fim de aplicar uma política global e coerente;
     
  12. Promover a cooperação internacional e facilitar a troca de conhecimentos, experiências e boas práticas em matéria de parentalidade positiva

 

3. Recomendações

3.1 – Compromisso

Os pais devem comprometer-se a proporcionar cuidados e atenção regular e personalizada às suas crianças. É imprescindível que pai e mãe, no exercício activo de uma parentalidade positiva, desenvolvam uma rotina diária da interacção focalizada em cada um dos seus filhos, dado que a qualidade do tempo individual é o que lhes confere a sensação de serem especiais, valorizadas interiormente e com elevada auto-estima, dentro de um quadro de valores e princípios conducente a tornarem-se cidadãos socialmente válidos e responsáveis.

3.2 – Disciplina Assertiva

Os pais devem educar as suas crianças aplicando uma disciplina assertiva, compreensiva e compassiva, sem violência de qualquer tipo, contribuindo, através deste exercício positivo da parentalidade, para que estes se tornem adultos emocionalmente saudáveis, cooperantes, sociáveis e responsáveis e incutindo nos filhos maneiras construtivas de lidar com o conflito humano, sem degenerar em comportamentos agressivos e violentos.

3.3 – Ambiente Emocional

Os pais devem assegurar às suas crianças um ambiente de reconhecimento e apreço, porque são as expressões parentais do amor e do entusiasmo que fornecem a nutrição emocional vital para o desenvolvimento saudável das crianças, nomeadamente para o desenvolvimento da auto-estima e do amor-próprio, e para a estimulação do desenvolvimento intelectual.

As crianças constroem a sua auto-imagem, em larga medida, a partir da percepção que têm dos sentimentos dos seus pais para com elas, pelo que o facto de os pais elogiarem e apreciarem os esforços dos filhos quando estes têm sucesso e quando falham, dá origem a um poderoso reforço do carácter, da auto-motivação e traz-lhes a alegria de realização.

Todas as formas de violência física e verbal assim como a negligência, que é igualmente uma forma de violência, devem ser excluídas do exercício de uma parentalidade positiva pois são profundamente traumáticas para os filhos e colocam em causa o princípio fundamental de que a criança precisa de ser aceite e amada.

3.4. – Ambiente Físico

Os pais devem promover um ambiente físico saudável e organizado que garanta as condições de segurança e de salubridade necessárias ao desenvolvimento integral da criança, permintido-lhe explorar, experimentar, de maneira lúdica e agradável, cada espaço, sem riscos ou perigos para sua saúde física ou mental.

O ambiente físico é representado por tudo aquilo que a criança tem ao alcance dos seus sentidos materiais, para o seu crescimento e desenvolvimento harmonioso, desde os objectos que manuseia, até as características visuais e os ruídos.

Assim e para um bom desenvolvimento, é importante que o meio físico favoreça a liberdade de movimento e de expressão das crianças, que eles se sintam à vontade para o trabalho, o estudo, a pesquisa, o jogo, a brincadeira e a descoberta.

3.5 – Sentido de Inclusão na Família

É muito importante que os pais assegurem às crianças um sentido de inclusão na família, pois esse sentimento de pertença ao núcleo familiar permitirá às crianças exercer o direito de participação na vida familiar, sendo escutadas e expressando os seus pontos de vista.

3.6 – Confiança Mútua

Ambos, pais e criança, se devem olhar mutuamente como seres humanos e criar uma relação de proximidade.

Neste contexto, os pais devem considerar que toda a confiança deve ser mútua e que a criança precisa de manifestações de confiança, nomeadamente no reconhecimento e respeito da sua esfera particular.

Em todos os momentos, deverá ser procurado um clima de amizade que favoreça o diálogo e a entre-ajuda.

3.7 – Exemplos positivos

Os pais deverão constituir-se como modelos emocionais positivos para as crianças, transmitindo aos seus filhos pensamentos e comportamentos emocionalmente saudáveis.

Deverão assim pautar o seu comportamento e atitudes por padrões morais, éticos, profissionais, humanos, familiares e culturais ao nível mais elevado possível, a fim de se constituirem como um exemplo irrepreensível para os seus filhos.

3.8 – Orientação e Instrução

Os pais devem desenvolver permanentemente as suas competências parentais com o objectivo de poderem definir objectivos motivadores para as suas crianças, no sentido de promover a sua progressiva autonomia e responsabilização.

Exige um cuidado especial introduzir uma nova tarefa ou responsabilidade para a criança, a fim de evitar a sua desmotivação. Constitui um estímulo para a criança aprender com o seu próprio esforço. Cada nova realização é um passo em frente.

Torna-se essencial que os pais promovam a auto-motivação da criança e a sua satisfação interior através da realização dos objectivos bem como do encorajamento e do elogio.

Nas suas práticas educativas devem, também, promover os valores inerentes à cidadania, designadamente a igualdade de oportunidades.

4. Disposição Final

Esta Carta de Princípios deverá ser revista ao fim de cinco anos e as alterações à mesma são da competência do Conselho Consultivo das Famílias.

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Pais Para Sempre
Associaçao para a Defesa dos Filhos de Pais Separados
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